Chafariz de Santo Amaro

 

Em épocas em que a água não chegava à casa de cada família, o chafariz, ou fontenário, assumia papel fundamental no desenvolvimento das localidades. À sua função prática aliavam-se atributos artísticos que logo os transformaram em elementos decorativos das cidades, vilas e aldeias.

Localizados preferencialmente em locais abertos, de boa visitação pública, ornamentando jardins, praças, ou a centralidade das pequenas localidades, são símbolos próprios de cada época. Erigidos a expensas do poder local ou de beneméritos, são obras de arte que encerram memórias de vivências tantas vezes já extintas.

 

No Terreiro do Chafariz, ergue-se o fontenário de silhares graníticos, de construção a seco, desenhando frontispício enquadrado por pseudo pilastras e lintel. Duas bicas metálicas irrompem de semiesferas estilizadas, brotando água, em corrente contínua, para o tanque que se liga por canal à pia da água para os animais de tiro.

Referida nas Inquirições de 1258, do rei D. Afonso III, o topónimo da localidade de Caes (Cães de Cima e Cães de Baixo, até meados do século XX) deriva de etimologicamente do latim canalis (canais), indiciando estruturas, naturais ou artificiais, de condução de água, ao tempo dos Romanos.

Texto de António Tavares

Arqueólogo e gestor do Património Cultural