Chafariz de Mourilhe

 

Em épocas em que a água não chegava à casa de cada família, o chafariz, ou fontenário, assumia papel fundamental no desenvolvimento das localidades. À sua função prática aliavam-se atributos artísticos que logo os transformaram em elementos decorativos das cidades, vilas e aldeias.

Localizados preferencialmente em locais abertos, de boa visitação pública, ornamentando jardins, praças, ou a centralidade das pequenas localidades, são símbolos próprios de cada época. Erigidos a expensas do poder local ou de beneméritos, são obras de arte que encerram memórias de vivências tantas vezes já extintas.

 

A graciosidade deste chafariz manifesta-se nas linhas curvas do seu frontispício. Uma estrela de seis pontas, em alto relevo, ornamenta a porção encimada por moldura de dois filetes. A secção inferior exibe bica que, irrompendo de semiesfera estilizada, enquadrada por moldura lateral e superior, jorra para o tanque que derrama o excedente para a pia dos animais de tiro.

A gravação de 1917 denuncia o ano em que foi feita pelo mestre pedreiro local Joaquim Lopes.

Estava-se em plena Primeira República. O azulejo, evocativo da Virgem Maria, exalta a religiosidade como característica definidora de Portugal, em ano de Comemoração da Fundação e Restauração do país (1940: 1140 e 1640).

Referida nas Inquirições de 1258, do Rei D. Afonso III, denominava-se por Mourili ou Mourily.

Texto de António Tavares

Arqueólogo e Gestor do Património Cultural